sábado, 21 de janeiro de 2012


SAGAS VOL. 2 ESTRANHO OESTE

Autor: Amado, M. D.
Autor: Azevedo, Alícia
Autor: David, Christian
Autor: Falcão, Duda
Autor: Vieira, Wilson
 ISBN 978-85-64076-01-3
Brochura, 12 x 18 cm
1ª Edição – 2011
144 páginas
R$22,00 

Sinopse:
Feiticeiros, mortos-vivos, espíritos ancestrais! Aventure-se através de desertos misteriosos e cidades fantasmagóricas no segundo volume da série Sagas. Estranho Oeste apresenta cinco histórias arrepiantes, escritas por alguns dos melhores autores da Literatura Fantástica brasileira. As trilhas selvagens do Velho Oeste nunca mais serão as mesmas!
Ilustração de Fred Macêdo, Prefácio de Thomaz Albornoz e Apresentação de Cesar Alcázar.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Livro - SAGAS VOL. 1 ESPADA E MAGIA

ARGONAUTAS EDITORA
A série Sagas da Argonautas Editora se inspira nas velhas pulps de bolso tão populares nos anos 60 e 70, as quais contavam com as narrativas de autores, tais como Robert E. Howard com os personagens Conan e Kull, além de Elric de Melniboné, criado por Micheal Moorcock, e o ciclo de Lankhmar, de Fritz Leiber.

SAGAS VOL. 1 ESPADA E MAGIA

Autor: Alcázar, Cesar
Autor: Falcão, Duda
Autor: Pinheiro, Rober
Autor: Silen, Georgette
 ISBN 978-85-64076-00-6
Brochura, 12 x 18 cm
1ª Edição – 2010
144 páginas
R$22,00

Sinopse:

Espada e Magia, o vol.1 da série, apresenta quatro noveletas escritas por autores da Fantasia brasileira: os gaúchos Cesar Alcázar e Duda Falcão, os paulistanos Georgette Silen e Rober Pinheiro. A ilustração de capa é do americano Nathan Milliner e o prefácio de Roberto de Sousa Causo, colunista de literatura do portal Terra.
 

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Livros em promoção!

O Clube de Autores já começou muito bem o famigerado ano de 2012 e trouxe aos leitores e autores uma nova promoção de até 25% de desconto em todos os livros do catálogo. Com esse descontão, os livros, todos de autores independentes, que são publicados 100% sob demanda (isto é: 1 compra = 1 impressão), ficam com valores concorrentes aos demais livros de mercado e que são lançados de forma tradicional pela editoras e vendidos nas livrarias.

Apenas não permita que o preconceito contra obras autopublicadas o impeça de, pelo menos, dar uma conferida ao que o site oferece.

Da nossa parte aqui do Blog, oferecemos algumas sugestões para vc conhecer:

Tempo Paralelo, romance - http://clubedeautores.com.br/book/120005--Tempo_Paralelo
Contos Sem Classe, coletânea - http://clubedeautores.com.br/book/39370--Contos_Sem_Classe
Beijos & Sombras, antologia - http://clubedeautores.com.br/book/23247--Beijos__Sombras
Beijos & Névoas, antologia - http://clubedeautores.com.br/book/23298--Beijos__Nevoas
Beijos & Sangue, antologia - http://clubedeautores.com.br/book/28653--Beijos__Sangue
Escravos da Paixão, romance - http://clubedeautores.com.br/book/39620--Escravos_da_Paixao
Estranhas Histórias de Amor, coletânea - http://clubedeautores.com.br/book/24374--Estranhas_Historias_de_Amor
Poções, Encantos & Assombrações, antologia infantil - http://clubedeautores.com.br/book/23304--Pocoes_Encantos_e_Assombracoes
Sol Negro & Lua Branca, romance - http://clubedeautores.com.br/book/101095--Sol_Negro__Lua_Branca_o_Retorno_dos_Orixas_Andantes

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Livro - SOL NEGRO & LUA BRANCA, de Alex D’Guyan

Se você se sentia meio cansado da forma tradicional de Romances, geralmente imersos naquele formato básico herdado do Espiritismo Kardecista...
Se você sentia muita falta de um jeito novo, bem diferente, ultramoderno, completamente inédito, Pós-Nova Era, e principalmente JOVEM de apresentar e revelar as grandes novidades trazidas para nós, Filhos de Fé, pelos Orixás, Guias e Guardiões...
Se você sentia tudo isso... então você chegou ao lugar certo!
Seja, então, muito bem-vindo a este inédito Universo que se inicia... exatamente agora!
Seja bem-vindo ao mundo de:
Sol Negro & Lua Branca: O Retorno dos Orixás Andantes! 

Impresso
R$ 49,85 + postagem

Ebook (pdf)
R$ 6,30

Tema: Ficção, Esoterismo, Espiritualismo


“Quando eu nasci, recebi o nome de uma antiga divindade dos magos.
Selene...
Eu? Por muito tempo me acreditei tão esperta... tão sabedora do “certo” e do “errado”: apaixonada por minhas crenças, concubina de minhas idéias...
Na adolescência, estreei minha obra-prima, quando compus o teatro de meu Inferno VIP: buraco, travestido de palácio, onde a entrada para minha festa era privativa – só minha! – com a pompa e cerimônia de uma rainha britânica sobre seu tapete vermelho...
Entrada triunfal!
Mas na hora da saída...
Eu não consegui sair mais! Perdi meu ingresso dentro de minha própria balada, nos sedutores ambientes dançantes dos meus dramas, “verdades”, mágoas e feridas: meu sofrimento!
Por 19 anos vivi no vívido viver zumbi: fiel devota do Altar do Medo, existia sem sentir gosto. O que me restava? Dançar trilher de Michael Jackson, enquanto meus membros da Felicidade se decompunham de mim: um braço de Alegria cai-se por lá, um pé de Plenitude solta-se acolá...
Vivendo-se aos pedaços!
Até que, aos meus 19 anos, eu o conheci. Ele!
E com ele, conheci o seu mundo – o mundo dos Senhores da Natureza, Arquitetos do Kosmos: os Orixás! – e toda a sua imensa riqueza, ocultos debaixo de seu misterioso sobretudo negro...
Foi com ele que construí, peça por peça, a chave que abriu os grilhões de meu Abismo!
Ele se dispôs a voar alto comigo, fazendo com que o vento indomável nos meus cabelos atiçasse minhas chamas por Vida, quando eu me contentava em rastejar, morrendo devagar, como fazem todos os que almejam serem adequados e normais...
Ele!
Aquele com quem senti o sussurro crepitante das chamas do Sol Negro acariciando, calidamente, a face misteriosa de minha Lua Branca...
Eis o início da minha história com ele: minhas confissões de como a face sepultada da Yalorixá de Oxum Apará do Templo do Rio da Lua Branca, ao ser iluminada pelo seu Sol Negro, escolheu revelar-se!”
Página do autor, Alex D'Guyan - http://clubedeautores.com.br/authors/45284

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Oficina Circense no Santa Cruz Shopping RJ

- O Santa Cruz Shopping fica à Rua Felipe Cardoso, 540 – Centro – Santa Cruz – RJ – Telefone: 21 2418-9400
- Siga-nos no twitter.com/santacruzrj e curta nossa página no facebook.com.br/santacruzrj

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Conto - Aquele Vitelo, de César Soares Farias

Aquele Vitelo...

A noite encaminhava-se para um final feliz, com todas as escalas do romantismo sendo rigorosamente percorridas e executadas com uma precisão quase científica. As flores, a caixa de bom-bons, o passeio de carro à beira do Guaíba, as citações de Fernando Pessoa murmuradas caprichosamente ao pé do ouvido... Agora Jean Carlo estacionava o  Vectra  escarlate  em  frente  ao “Degusta”, restaurante do bairro São Geraldo  freqüentado  por  8 entre 10 casais de namorados da classe média porto-alegrense.

Vera, ou Verinha como era chamada na Faculdade de Veterinária da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, devota de São Francisco, era uma galega pequenina, mas de contornos bem delineados, acabando por atrair os olhares e desejos de Jean, o galanteador conceituadíssimo entre as ninfas da Faculdade.

Tão certo como as uvas colhidas em vinhedos de Bento Gonçalves, após destiladas, vão para as garrafas, as mulheres que embarcavam naquele Vectra para um jantar no “Degusta” acabavam todas, sem exceção, no apartamento nº 203  do  edifício  2704, Rua Fernandes Vieira, bairro Bom Fim, mais precisamente no leito do acadêmico de Odontologia.

Após degustar a Carne de Vitelo ao Molho Branco, sugerida com grande entusiasmo e brilho no olhar pelo rapaz, Vera sentiu curiosidade sobre aquele prato tão delicioso que  acabara  de experimentar na companhia excitante  daquele moreno  de olhos verdes que acariciava suavemente, sem pressa, as suas mãozinhas. O vinho deixava-a descontraída.

Estavam em uma mesa privilegiada, junto à janela, de onde avistava-se a lua derramando emanações prateadas a refletirem-se no pequeno lago artificial do luxuoso restaurante. Um quarteto de cordas, composto por músicos da Orquestra de Câmara da Ulbra, num brinde aos devaneios amorosos, executava a irresistível “La Barca”. Quando o garçom aproximou-se novamente para encher-lhes as taças ela finalmente indagou:

-- Ai moço, como é que se prepara esse tal de Vitelo? ... Adorei.

-- Bom faz assim, quando nasce um bezerro tem que desmamá ele da vaca assim que começá a caminhá... Aí começa a dá só água pra ele, até fica anêmico, porque assim a carne fica bem branquinha e macia... Depois é só matá o filhote...
 
-- PLAFT!

A bofetada da galeguinha acertou a face direita de Jean, que corou ao notar, já sozinho, que nas mesas ao redor todos o miravam com sarcasmo.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Livro Tempo Paralelo, de Pat Kovacs.

No mundo que conhecemos também há um mundo que desconhecemos. Um mundo em que a magia impera e magos, feiticeiros e bruxos vivem como nós e, muitas vezes, ao nosso lado. 

O bem e o mal estão em guerra e o passado, presente e futuro se misturam para trazer uma alma para a luz e com isso unir duas almas apaixonadas que nem o tempo pode separar. 

Anderson Hardock Lobo é um Bruxo das Trevas, um Soldado Escuro que faz parte do Exército Negro, mas vê seus ideais alterados ao encontrar a misteriosa Evangelina. 

Evangelina Dracena, é uma feiticeira poderosa que vive em harmonia com os Inconscientes, por ser mestiça, e faz parte do grupo "Resistência Autônoma", que luta para restaurar a paz no Mundo Magnífico, o "mundo" dos bruxos. 

Lobo e Evangelina são inimigos declarados, mas precisam correr contra o tempo para realizar o desejo mais profundo de seus corações: Unir suas almas. 


Número de páginas: 223
Edição: 1(2012)
Formato: A5 148x210
Coloração: Preto e branco
Acabamento: Brochura c/ orelha
Tipo de papel: Offset 90g 

Impresso
R$ 43,83 + postagem por e-sedex

Enquanto não disponibilizo para venda o livro de Hybrida, Asas Negras, nem Raptores e os livros do "Projeto Encantados", vou brincando de lançar livros pelo Clube de Autores, "remasterizando" antigas obras que acabei por denominar " Série Snake Storie's" ou "Série Contos de Snake" - como preferir.

O que é essa "brincadeira"? Nós (Snake e eu, seu Ego Titular) temos 15 escritos feitos, entre eles contos, noveletas e romances. É uma quantia e tanto, não? Pois bem, Snake, meu irmão astralino, me deu permissão para "remasterizar" suas obras. A primeira dessa investida é essa que ocupa esta postagem, Tempo Paralelo. É um belo romance, bem trabalhado, que merecia um pouco mais do que teve até hoje. Outras virão, com certeza. Estamos trabalhando na adaptação e revisão de outras histórias, e breve haverá novos livros, todos dentro do tema "Realismo Fantástico". Pois, a vida real fica mais divertida com um pouco de magia, não é?

Degustação: para ler os 4 primeiros capítulos, clique aqui.


 

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Conto - O Homem da Ganja, de César Soares Farias

O homem da ganja

Afora aquele inconfundível cheiro que exalava pela janela quatro ou cinco vezes por semana, não havia nenhum outro motivo para reclamações na vizinhança. Dona Íria e Seu Jacinto que o digam. Moravam ao lado da cabana de madeira envernizada que  pertencia ao inofensivo maconheiro, novo morador daquela pacata Rua das Bromélias. O casal de anciãos era freqüentemente acudido pelo rapaz, que possuía avançados conhecimentos de eletricidade e conserto de eletrodomésticos em geral. Foi ele quem recuperou, sem cobrar qualquer tostão, a batedeira, o aparelho de som e o ferro de passar roupas dela. Em pouco tempo, tornou-se Cauã o mais confiável quebra-galhos da rua. Quando o assunto era rede elétrica, quase todos, exceto a família do Humberto, requisitavam-no em suas horas de folga. A todos acolhia com um semblante sempre tranqüilo e agradável que conquistava crianças, adultos e idosos. Trabalhava de sol a sol, de segunda a sábado, na Instalsul Engenharia Ltda., firma solidamente estabelecida no centro da cidade. Mesmo assim, atendia a vizinhança sem demonstrar cansaço ou contrariedade, pelo simples prazer de ajudar.

Dona Íria, que adorava conversar sobre plantas, chás e ervas medicinais, encontrou nele um perfeito parceiro para a troca de receitas e novas fórmulas contra as mazelas do corpo. Aprendeu a usar o capim cidrão para elevar a sua pressão e a espinheira santa para combater a úlcera do Seu Jacinto. Também, graças ás dicas do moço, conseguiu finalmente curar a cistite da neta apenas com o chá de cavalinha e pata-de-vaca. Ela e o marido admiravam-no, mas andavam um tanto confusos pelos comentários surgidos em torno dele.

Apesar de viver honestamente, com o suor do próprio trabalho, respeitando cada morador vizinho sem distinção, Cauã e a sua cabana nº 12 da Rua das Bromélias andavam na mira da lei. O tal cheiro que incomodava, cheiro de erva queimada, atiçava, dia após dia, a inimizade de Humberto, proprietário de uma granja situada na descida da rua. O eletricista era um sujeito caseiro, que muito raramente recebia visitas, contudo, boatos começaram a associá-lo ao tráfico de drogas. Não tardou ele a perceber que a vizinhança começava a tratá-lo com certa frieza e que alguns pais já não deixavam os seus filhos pequenos demorarem-se para ouvi-lo em frente á cabana. Isso naturalmente incomodou-lhe um pouco, mas não o suficiente para fazê-lo mudar a postura com todos eles, pois era incapaz de guardar ressentimentos. Mudara a menos de um ano para o bairro, tendo em si a mesma determinação de um João-de-barro quando constrói o novo ninho. Fez questão de pregar, do assoalho ao telhado, cada tábua de sua casa. O trabalho lhe consumiu os domingos de folga durante dois meses inteiros. Nesse período, enquanto pacientemente erguia as paredes do “lar doce lar”, começou a cativar os vizinhos com o seu jeito simples, calmo e atencioso. Comprara aquele terreno com recursos que vinha ajuntando na caderneta de poupança à cerca de quatro anos.

Inicialmente, logo que se transferiu para o novo núcleo residencial, o odor da cannabis sativa foi atenuado pelo forte cheiro do verniz que ele ia aplicando à madeira. Com o tempo, porém, os olfatos mais apurados não tiveram muitas dificuldades para notarem que ele fumava maconha. Foi Dona Íria, a sua amiga de ar maternal, quem procurou abordar de frente o assunto durante uma conversa sobre a infusão das benditas ervas que curam. A explicação dada por ele tranqüilizou-a um pouco, pois afastou a hipótese do tráfico de drogas.

A sua relação com a ganja(*) tinha um caráter totalmente místico. Fumava para refletir melhor sobre problemas e esquecer experiências negativas, obtendo paz de espírito e coragem. A erva era para ele um canal de acesso ao Pai, deixando-o na freqüência certa para entoar os seus cânticos devocionais e preces ao mundo extrafísico. Além disso, auxiliava-o a exercitar o seu lado músico, que nunca, em nenhuma fase da sua vida, deixara de lado. Tinha um violão Giannini vermelho e nesses momentos de inspiração conseguia compor e aperfeiçoar as canções que escrevia. A ganja que consumia, comprava-a diretamente no sítio de um plantador anônimo na região metropolitana de Porto Alegre.

Nem todos tiveram a disposição e boa vontade de Dona Íria para ouvi-lo em suas justificativas. O tal Humberto da granja encabeçava a lista dos que desejavam vê-lo bem longe dali. O homem de 44 anos, criador de galinhas, tinha como principal fonte de renda a comercialização de ovos. Tinha também uma micro criação de suínos. Ano após ano ele comprava cinco ou seis porcos, alimentava-os bem e em dezembro, um pouco antes dos festejos natalinos, sangrava-os até a morte, vendendo-os em pedaços para a vizinhança. Do pai, já falecido, herdou a granja e a paixão pelo samba. Samba que não era feito com pandeiro, surdo, cavaco e violão, mas com cachaça e coca-cola, servidas em botecos da periferia. Bebia diariamente e sob o amparo da lei, dois ou três copos do “elixir” que o ajudava a esquecer mágoas, ganhar ânimo e tomar decisões. Costumava dirigir  o seu  velho  Passat   cinza  em   alta  velocidade quando se embriagava e ficava violento quando era contestado. Em março de 2005, durante a festa de aniversario da prima, num acesso de fúria, deu um tiro em seu cunhado, que, segundos antes, chamara o Grêmio Foot Ball Porto Alegrense de “timinho mixuruca”. Contratou logo em seguida um bom advogado e alegou, com sucesso, ter agido apenas em legítima defesa.

Numa noite qualquer, ao voltar do boteco, Humberto sentiu o odor proibido exalando da cabana e tomou finalmente a decisão que há algum tempo vinha arquitetando. Estacionou o veículo a dois quarteirões do local, em frente a um orelhão, desceu um pouco cambaleante e daquele aparelho telefônico acionou uma patrulha policial. Vinte minutos após, quando a nuvem de fumaça já havia se desvanecido no ar, uma viatura da Brigada deslocou-se ao endereço apontado para proceder às averiguações. Da cabana escutavam-se apenas os precisos acordes do violão de Cauã, e o único cheiro que exalava desprendia-se da graciosa árvore pitangueira plantada por Dona Íria em sua calçada. Uma brisa fresca encarregava-se de espalhar pela rua o perfume daquele fruto tropical, proclamando aos moradores da Terra o pleno domínio da primavera.

O criador de galinhas, após a frustração, ficou ainda mais obstinado em meter aquele usuário criminoso na cadeia. Gastou aquela madrugada inteira refletindo sobre a melhor maneira de entregar em flagrante delito o eletricista. Quando os primeiros raios de sol romperam as espessas folhagens da cerca verde que circundava a sua granja, Humberto saltou da cama com ar de triunfo. Seus olhos estavam ainda vermelhos e o hálito simplesmente insuportável. Entrou no Passat, que estacionara ao relento no pátio, e tomou o rumo do bairro Floresta, onde morava o seu tio, um policial civil aposentado. Não existia grande amizade ou simpatia entre ambos e havia quase dez anos que não se procuravam. Contudo, a ocasião oportuna lhe fez tomar a iniciativa. Teve o cuidado de comprar antes uma caixa de uísque importado, Ballantines, para amenizar a frieza do reencontro. O velho apreciava as delícias de um bom malte, pois com ele descontraía, ficava ousado com as mulheres e sentia-se jovem. A conversa durou o tempo suficiente para o granjeiro receber das mãos do tio um cartão de recomendações indicando-lhe a certa delegacia que se encarregaria de investigar a denúncia. Sem perder tempo, deslocou-se até o distrito policial indicado e acertou todos os detalhes necessários para a prisão do seu vizinho. Eufórico, tão logo saiu de lá, Humberto começou a desabafar pelos botecos da redondeza que a sua vitória estava próxima.

Durante um mês e meio, agentes civis infiltrados nos arredores monitoraram as noites de Cauã e descobriram a melhor hora para agir. A abordagem certeira foi planejada e no dia e hora marcados o rapaz foi revistado quando chegava em casa com um pequeno embrulho enrolado em papel alumínio. Levou dois tapas na cara e sem reagir conservou-se encostado no muro com as mãos e pés afastados. Dois transeuntes passaram rapidamente naquele instante e sem encará-lo apenas comentaram entre si:

-- Finalmente pegaram ele...

-- É, já tava na hora.

Para surpresa dos inspetores, no entanto, o embrulho continha Boldo do Chile, uma erva com características diferentes da procurada. Havia junto uma folha de papel manuscrito contendo uma breve instrução medicinal:
   
A/c de Humberto, domiciliado à Rua das Bromélias nº 34:

Remédio natural contra a ressaca

Coma iogurte natural antes de se deitar. Quando acordar tome 1 colher de mel. Fazer uma infusão de boldo e beber pela manhã. Antes de beber tome 1 colher de sopa de óleo de oliva.

Dona Íria, que assistira toda a operação pela fresta da janela, assim que a viatura se foi, surgiu rapidamente no vidro e ambos, ela e o eletricista deram uma cúmplice piscada de olhos.              


(*) Também conhecida como marijüana e cannabis, é uma erva medicinal milenar usada pelos adeptos da filosofia rastafári, não para diversão ou prazer, mas sim para  limpeza  e  purificação  em  rituais controlados. Muitos sustentam o seu uso através de Gênesis 1:29: “E disse Deus: Eis que vos tenho dado todas as ervas que dão semente e se acham na superfície de toda a terra e todas as árvores em que há fruto que dê semente. Isso vos será para mantimento”.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Fanzine Juvenatrix 132


Está disponível a nova edição do Juvenatrix, editado por Renato Rosatti.

Eeste número entrevista o cineasta independente Joel Caetano, publica contos de Dalila Rocha Sousa e Rita Maria Felix da Silva, e resenhas os filmes Os monstros da noite (1966), O último mundo dos canibais (1977) e Planeta dos macacos: A origem (2011), além de divulgar produções alternativas e bandas de Metal extremo. A capa traz uma ilustração de Rafael Tavares.

Para solicitar uma cópia em formato PDF, envie um e-mail para renatorosatti@yahoo.com.br

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

"É sempre noite na Vila.
A Vila é um lugar sereno; calçadas de pedra iluminadas pela luz amarelada dos lampiões.
A cada seis meses um navio deve partir para o Além-mar. É a Lei dos Anciãos.
Os navios nunca retornam.
Todos temem o horror sem nome que vem do Além-mar.
Saber demais é perigoso. Alguns livros são proibidos. É a Lei dos Anciãos.
É sempre noite na Vila; e nenhuma noite é mais escura do que a noite da Vila."

SAIBA MAIS SOBRE ESSE LUGAR MISTERIOSO
Site: http://www.robertopellanda.com.br
Blog: http://rpellanda.wordpress.com/
Twitter: http://twitter.com/seriealemmar
Facebook: http://www.facebook.com/seriealemmar
Leia aqui o 1º Capítulo de NOITE SEM FIM
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SINOPSE:
A Vila é um lugar onde é sempre noite.
A cidade vive sob a rígida Lei dos Anciãos: a cada seis meses um navio deve partir para o Além-mar.
Martin tem quatorze anos e ficou órfão há seis meses, quando o pai embarcou em um navio para o Além-mar, de onde, todos sabem, ninguém retorna.
Atormentado pela perda do pai e pelo fantasma de que conhecia muito pouco a seu respeito, a começar pelo incompreensível motivo que o fez ser voluntário em um navio, Martin decide partir à procura de respostas.
A busca pela verdade levará Martin a visitar algumas das figuras mais folclóricas da Vila e o conduzirá a uma incrível descoberta: uma coleção de livros proibidos.
Junto com Omar, seu melhor amigo, e Maya, a filha do livreiro da Vila por quem é perdidamente apaixonado, Martin inicia um clube de leitura para explorar o tesouro recém-descoberto.
O mergulho nos livros proibidos levará o trio a uma perigosa jornada, na qual eles não apenas serão apresentados aos segredos que envolviam o passado do pai de Martin, mas também os colocará cara a cara com a própria essência do terrível regime Ancião.
À medida que a leitura dos livros avança, eles se veem em meio a uma perigosa trama e percebem, tarde demais que, depois das revelações do clube de leitura, nada será como antes e a vida dos três mudará para sempre.
Confrontado com verdades aterradoras e declarado inimigo do regime Ancião, Martin ainda terá que enfrentar o maior temor de todos na Vila: criaturas cujo nome não se diz e que vêm do Além-mar.
Durante a grande catástrofe, Martin terá que descobrir em si mesmo uma coragem que não sabia existir, se quiser salvar a vida de Maya e a própria Vila.
Noite sem Fim é uma declaração de amor a três coisas: família, amizade e livros.
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