quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Resenha - Sagas Vol. 2 Estranho Oeste


A trilogia Sagas chega ao seu segundo volume com uma inusitada mistura – até então, à época do seu lançamento, março de 2011: o Faroeste e o Fantástico, mistura esta que recebe o nome de “weird west”. Como Thomaz Albornoz, o prefaciador deste volume, bem perguntou: “Por que será que a mistura do horror com o western não ocorreu antes?” Pois é. Por que não? Porque, até então, ninguém tinha sido tão ousado.

Neste volume 2 o formatinho é o mesmo: compacto e elegante. São 5 noveletas distribuídas em 141 páginas, com participações de Alícia Azevedo (sim! Uma moça escrevendo sobre horror e faroeste!), Christian David, Duda Falcão, M. D. Amado e Wilson Vieira. A capa, tipo comics, é do ótimo Fred Macêdo e a publicação é da Argonautas Editora.

Meu Achismo:

Bisão do Sol Poente
Duda Falcão

Não é a toa que a capa é referente a este conto que inaugura o livro. Bisão do Sol Poente é um conto fabuloso em que se mistura o horror sobrenatural, xamanismo, a sabedoria ancestral incorporada no nativo sioux Sunset Bison, e o delicioso personagem anti-herói Kane Blackmoon, um caça-recompensas mestiço e imperfeito, que comete erros infames e se arrepende disso. Eu já comentei que adoro personagens errados, não foi? Pois parece que Duda Falcão também, para o meu deleite XD~

Tudo começa com Kane na caça do bando de pistoleiros de Hernandes Calderón. Caçar bandidos era o seu ganha-pão e também diversão. Mas os fatos tomam outro rumo quando Kane se depara com um saloon em que uma bizarra carnificina ocorrera. E a realidade ficou ainda pior ao constatar que a chacina não se restringia ao saloon: todas as casas do pequeno povoado estavam com seus habitantes dilacerados de uma forma tal que se descartava a hipótese de que algo assim tenha sido cometido por um humano ou animal.

O índio Sunset Bison vai no encalço de Kane, pois caçava o mesmo que ele, embora o caça-recompensas ainda não soubesse disso. Num momento de descanso, as origens de Kane são reveladas e algo mais além disso, até a sua forma transcedente de corvo, seu animal sagrado, o Totem.

E Kane “Lua Negra” é um caçador de espíritos malévolos!

Hernandes Calderón havia se tornado um “hospedeiro” quando invadiu o território sagrado de Bison, libertando a aberração espiritual que estava aprisionada num pote de cerâmica adornado com inscrições magísticas. De simples caçada a bandidos sanguinários, a perseguição se tornou uma verdadeira caçada a um monstro sobrenatural pior que o diabo!

Dos 3 volume de Sagas, este é o melhor conto de Duda Falcão. É possível, até, que ele tenha encontrado aqui, na weird west, sua verdadeira praia :)

Aproveite o Dia
Christian David


Jeremiah Duncan é um médium, mas como este conto deve ser ambientado numa época anterior à decodificação kardequiana, o rapaz não deve saber disso. Pois que ele é um médium e desde pequeno recebe o apelido de “O Profeta”, não apenas por uma alusão de seu nome ao do profeta bíblico, mas também porque ele sempre foi acometido por presságios e vozes que somente ele ouvia.

Mas sua maior aventura sobrenatural, certamente, ocorreu no estranho saloon de Mama Belle, em que adentrou cansado e faminto após dois dias ininterruptos de cavalgada pelo calor do oeste.

O saloon, apesar de perdido no meio do nada, parecia igual a todos os outros, que servia refeição e repouso aos viajantes exaustos, repleto de mesas redondas onde se reuniam homens para partidas de pôquer e garçonetes mau-humoradas. Parecia...

Aqui, o conto mistura magia negra vudu; o mesmo dia que se repete indefinidamente; e um adorável herói imperfeitamente normal, que é traumatizado com gritos e que luta muito para não sucumbir ao medo e à insanidade (que jamais nega). Dotado também de clarividência, Jeremiah enxerga duas realidades distintas, uma em cada olho. E Mama Belle? Ela, um arremedo de feiticeira vudu, que tem o feitiço, literalmente, voltado contra ela. Uma amaldiçoada pela própria magia conjurada por ela mesma para evitar a morte, mas que acabou amaldiçoando todo o saloon e quem dentro dele estava – ou tinha a desgraça de adentrá-lo e comer da comida enfeitiçada do lugar. Ironicamente, ao tentar evitar a morte, ela se prendeu a um destino muito pior.

A magia de Mama Belle, que a prendeu à vida, também a prendeu num único dia que nunca passa. Jeremiah, o “pistoleiro profeta”, é a última maior esperança de todos para os libertar da maldição.

E o rapaz aceita de bom grado a missão de salvador? Não, óbvio. Apenas aceita para se ver ele mesmo livre da armadilha em que caiu. O final foi resolvido de forma prática, com O Profeta usando-se de seu outro grande dom – e bem mais útil!

É um ótimo conto, com simplicidade e bom desenvolvimento.

“Aproveite o dia!”


Alícia Azevedo


Os conhecimentos de Filosofia da autora se fizeram muito presentes nesta noveleta em que a redenção foi buscada em sentido contrário. Fé, convicção, crença em Deus, no Céu e Inferno, na Vida e Morte, são a base desta história.

O progresso avançava ao que antes era o Oeste selvagem, através dos brilhantes trilhos da ferrovia. Nada poderia deter o progresso, que estava acima de tudo, inclusive de Deus: nem o bom senso, nem uma inocente missão religiosa repleta de crianças órfãs cuidadas por uma jovem freira serviram de freio para a crueldade dos homens ambiciosos.

As crianças foram massacradas e a freirinha violentada até a beira da morte. Em meio a tanta desgraça e sangue, a Fé da jovem oscila, abrindo brecha para a atuação da contraparte de Deus, que lhe oferece Vida e Força para que ela se vingue dos homens que praticaram tamanha atrocidade.

Assumindo o nome de Beatrix, a jovem entrega a sua Fé e lealdade àquele que a devolve à vida, e parte para Albuquerque, ganhando almas para o seu novo Senhor através da corrupção destas, até encontrar seu destino final, onde se instala sob a roupagem de uma jovem viúva rica.

Sob esse disfarce, Beatrix semeou a discórdia e a dor entre as boas pessoas e famílias da cidade, ganhando cada vez mais almas, mas isso a satisfaz por pouco tempo. Logo ela apelou para chacinas e tornou-se uma incendiária. Neste ponto da história, o conto sofreu um desânimo em sua narrativa, talvez para demonstrar o espírito entediado da protagonista, pois é o tédio que nos transmite.

O desfecho, esperado, foi a concretização da vingança, consolidado a Fé da personagem e provando a sua lealdade através da abnegação. Beatrix encontrou sua redenção às avessas. E “Ele” não a abandonou como o Outro.

Justiça... Vivo ou Morto
M. D. Amado


Como era de se esperar, portanto não foi decepcionante, o estranho e esquisito preencheram esta noveleta de Marcelo Amado que, ao que me parece, serviu de cenário para a antologia que ele, então, viria a lançar mais tarde através da sua recém criada Editora Estronho, Cursed City.

Cole Monco é um pistoleiro de aluguel – e um poderoso médium, mas isso ele não sabe. Quando numa preguiçosa tarde de sábado é acordado pelos tiros de uma velha pistola, disparados por Josh Mackenzie, um garoto de 17 anos que buscava vingar a chacina de sua família, Monco resolve “adotar” o rapaz e a causa dele, motivado pela empatia, pois seu sangrento passado tinha a mesma história de Josh.

Apesar de irascível, o garoto acaba aceitando ajuda, sabendo que não seria capaz de concretizar sua vingança contra os índios choctaw que destruíram a sua família.

E a batalha se dá no ponto de partida onde tudo começou: no rancho Mackenzie. Mas, por mais que Cole e o xerife Pat Stevenson, que se juntou à caçada, atirassem nos choctaws que cercavam o rancho, nada acontecia. Aterrados, começam a perceber de que eles não lutavam, exatamente, contra pessoas humanas. E o mistério acerca de Josh começa a se desenovelar, tendo uma reviravolta do meio para o fim da história.

Atos violentos que não saem impunes nem depois da morte. Maldição indígena e batalhas travadas no plano astral. “Justiça... vivo ou morto” é  o conto mais denso do livro, com um desfecho nada convencional. Muito bom ^^

The Gun, the Evil and the Death
Wilson Vieira


Último conto de Sagas 2.

Wilson Vieira é um roteirista de histórias em quadrinhos, tendo mais de 30 anos de experiência nessa área. Mas a transição entre roteiro e texto literário quase nunca é harmoniosa e o texto tende a não fluir com facilidade.

Minucioso demais, perdeu-se espaço e tempo com descrições desnecessárias, como marcas, etiquetas e datas de fabricação dos objetos pessoais do protagonista, o bandido Tom Willian Ketchum. Se por um lado tais descrições podem enriquecer o texto, por outro a sua utilização a espaços curtos torna a leitura chata.

Felizmente, o enredo salva e faz valer o sacrifício de ver propagandas, quando Wilson engata na escrita e nos conta a mais “weird” das noveletas do livro.

Ketchum é um pistoleiro sádico e cruel. Diferente dos outros personagens da antologia, ele é mesmo um vilão malzão. A sua sordidez chega ao ponto de provocar brigas para justificar sua matança de pessoas honestas. E o preço que pagaria por sua última covardia seria muito, mas muito alto!

Ao adentrar numa nova cidade, que parecia abandonada, deserta sob o aguaceiro da chuva, Ketchum se dirige ao único local que parecia vivo, a cantina Las Cruces, em busca de calor seco e algo para comer e beber, mas mal sabia ele que ali seria a sua paga por todos os assassinatos que cometeu, sendo introduzido como réu num julgamento absolutamente nada convencional e completamente bizarro. E a sua sentença, decretada pelos 12 homens que ele matou, foi a de um pesadelo bastante real ao qual ele deveria sofrer e repetir o sofrimento pelo número de vezes em que matou.

Achismo Final:

Sagas 2, Estranho Oeste, é o melhor volume da série, composta, até então, de 3 livros. Não apenas pela atuação de seus destros autores, que conduziram suas histórias da melhor forma possível, mas também pelo tema abordado.

Talvez por falta de mais dados de referência histórica disponíveis sobre o Velho Oeste, os cenários foram repetitivos, como se não houvesse nada além de deserto, ranchos e saloons. Pode ser que não haja mesmo, pois são esses mesmos cenários que estão presentes nos filmes de western. Aliás, aprecio bastante tais filmes, tanto que “Era uma vez no Oeste”, de Sérgio Leone (1968), com Charlie Bronson, é um dos meus favoritos XD~

E esse tema misto, o faroeste permeado ao sobrenatural, deveria ser repetido mais algumas vezes ;)

Pat Kovacs

Booktrailler - Sol Negro & Lua Branca - 2

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Georgette Silen - Lançamentos pela Giz Editorial

A Giz Editorial começa 2012 com força total, com 3 lançamentos de peso no gênero Fantasia e Ação. Autoras consagradas como Regina Drummond e Rosana Rios e a escritora paulista Georgette Silen vêm para mostrar a força da Literatura Fantástica brasileira.

E, para iniciar o ano com o pé direito, estamos presenteando os leitores que adquirirem qualquer um dos volumes abaixo em pré-venda com um brinde especial.

Confira:


Fábulas ao Anoitecer

Você sabe o que acontece na escuridão da noite?

Que mistérios se escondem sob a luz do luar?

Fábulas ao Anoitecer é uma seleta de narrativas fantásticas que têm como cenário principal o manto da escuridão, que assume seu reinado após o pôr do sol. Terror, amor, magia, criaturas fantásticas como fadas, bruxos, dragões, elfos, e até ficção científica surgem de suas páginas. Mitologia e lendas folclóricas mundiais são revisitadas e conduzem o leitor pelo maravilhoso mundo da Literatura Fantástica Brasileira.


Fábulas ao Anoitecer é para ser lido debaixo das cobertas, com lanternas acesas, num clima de mistério e segredo. Mas tome cuidado com as janelas. Mantenha-as bem fechadas...


Dados Completos da Obra:
Fábulas ao Anoitecer | Gerogette Silen
160 páginas | 14 x 21 | 202 gramas | 1ª Edição | R$ 28,00
Assunto: Literatura Brasileira | Ficção
ISBN: 978-85-7855-164-3 | EAN: 9788578551643

              
 As Crônicas de Kira                
Uma princesa guerreira. Uma profecia antiga. Uma missão sagrada.

Kira, a Princesa de Hisipan, terra de fabulosas mulheres guerreiras, parte em uma jornada heroica por reinos distantes, à procura de um artefato mágico.

Uma narrativa épica, repleta de reviravoltas e personagens complexos, guerreiros, batalhas espetaculares em terra e mar, criaturas fantásticas, monstros saídos de histórias de terror, belas mulheres e feiticeiros sinistros, que irá hipnotizá-lo do início ao fim.
                                            

As Crônicas de Kira é leitura obrigatória para os apreciadores do gênero Espada & Magia, que tornaram famosos personagens como Conan, o Bárbaro, e Elric, o cavaleiro albino.
                

Dados Completos da Obra:

As Crônicas de Kira | Gerogette Silen

152 páginas | 14 x 21 | 192 gramas | 1ª Edição | R$ 28,00

Assunto: Literatura Juvenil | Ficção
ISBN: 978-85-7855-163-6 | EAN: 9788578551636



O Despertar das Tatuagens

Dois mundos. Um objeto perdido. Marcas que se transformam em tatuagens de poder. O mal se espalha por um reino idílico, governado pela Grande Mãe, uma poderosa matriarca.

Uma profecia pode levar a salvação para o continente devastado. Mas pode também atrair criaturas perigosas: as Sombras, que se alimentam das fraquezas humanas, encontram o campo livre para agir.

Entre duas realidades cheias de desafios, Raiziar, o herdeiro da Grande Mãe, luta pelo despertar das nove tatuagens que traz no corpo. Só elas poderão ajudá-lo a encontrar o objeto capaz de devolver força e poder aos seus ancestrais.


Dados Completos da Obra:

O Despertar das Tatuagens | Regina Drummond e Rosana Rios

296 páginas | 16 x 23 | 440 gramas | 1ª Edição | R$ 39,90

Assunto: Literatura Juvenil | Ficção
ISBN: 978-85-7855-165-0 | EAN: 9788578551650

Previsão de lançamento: 15/03/12
Pré-venda no site: www.gizeditorial.com.br

E lembre-se: na compra de um exemplar durante a pré-venda, você ganha um brinde especial. Faça já o seu pedido!

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Entrevista - Márson Alquati

A entrevista desta segunda-feira é com o Escritor MÁRSON ALQUATI, autor da trilogia Ethernyt ;)

O Escritor:

Quando começou a escrever?
R: Na verdade, apesar de adorar ler, nunca achei que um dia seria capaz de escrever algo, até que passei em um concurso público e fui lotado a 300 km de onde morava na época, sendo obrigado a encarar seis horas de viagem em um ônibus caindo os pedaços toda a semana para ir e mais seis para voltar. E foi como uma maneira de passar o tempo durante essas penosas viagens, que comecei a rabiscar algumas idéias numa agenda velha. As idéias foram fluindo e acabaram se transformando no esqueleto dos livros da Trilogia Ethernyt. Então, posso dizer que o acaso foi quem descobriu a minha veia de escritor...

Por que escreve?
R: Escrevo simplesmente por prazer. Adoro contar histórias, de modo que me considero muito mais um contador de histórias do que um autor.

O que gostaria de alcançar com a sua Literatura?
R: Seria falsidade minha dizer que não sonho o mesmo que todo escritor iniciante: um dia ver meu trabalho ultrapassar as fronteiras do nosso país e ser publicado no mundo todo, alcançando todas as pessoas. E o mais importante: agradando e correspondendo às expectativas dos meus leitores em todos os quesitos. O dinheiro, o sucesso e a fama podem até vir como consequência do trabalho, mas com toda a certeza, afirmo que não são o combustível que me impulsiona todos os dias a sentar defronte ao computador e digitar as minhas histórias.

Qual tema ou assunto que gostaria muito de abordar, mas ainda não sente a necessidade de fazê-lo agora?
R: Faz parte do meu projeto de vida escrever um romance ou uma série épico-histórica baseada na biografia de alguma grande personalidade do nosso passado. Também sou um aficionado por culturas antigas e um dia pretendo escrever algo sobre as primeiras civilizações da antiguidade.   

O que o motiva?
R: A certeza de que ao escrever as minhas histórias estarei deixando um legado à posteridade. 

Qual a sua maior inspiração?

R: A inspiração vem de tudo o que leio ou assisto, pois além de ser um amante inveterado dos livros, também adoro cinema. Assim sendo, procuro captar todos os elementos de que mais gosto nos livros e filmes e inseri-los nas tramas das minhas histórias, da mesma forma que tenho o cuidado de excluir tudo aquilo que não me agrada. Mas o faço, cuidando ao máximo para não incorrer em plágio ou nos velhos clichês comuns do gênero, buscando sempre a originalidade e a quebra de paradigmas.

O que mais atrapalha?
R: A discriminação que a literatura nacional, principalmente a fantástica sofre em relação à estrangeira, quando é sabido que temos aqui no Brasil autores e obras tão bons ou melhores até do que os “importados”.

Qual seria o cenário perfeito para trabalhar na sua Literatura?
R: Quando estou escrevendo, não faço distinção de lugar, horário, tempo ou temperatura, só preciso de absoluto silêncio e de estar de bem comigo mesmo e com a vida. Não consigo me concentrar com música ou barulho de qualquer natureza ou quando estou com algum problema na cabeça.

O Leitor:

Qual o primeiro livro que leu e marcou a memória?
R: Não me recordo ao certo qual livro foi o primeiro, só sei que iniciei a minha vida de leitor bastante cedo, com a excelente “Coleção Vagalume”, cujos livros eu acredito ter lido todos. Até hoje lembro da maioria deles.

Qual a obra mais marcante?
R: A coleção “Crônicas da Terra”, do renomado autor e pesquisador Zecharia Sitchin, certamente foi a que mais me marcou. Por conta dessa série passei a admirar a Mitologia Suméria e conhecer um pouco mais sobre o nosso passado e sobre a primeira e mais rica civilização de que temos notícia a florescer sobre a Terra, obrigando-me a mudar conceitos e a quebrar paradigmas que até então julgava ser verdade absoluta.

Não vendo. Não troco. Não empresto.
R: Nenhum livro da minha biblioteca particular. Sou muito ciumento com os meus livros. Amo todos eles, pois de cada um consegui extrair algo positivo, novos conhecimentos, cultura, diversão e prazer.

Qual o gênero e estilo literário favoritos para leitura?
R: Sou um entusiasta da Literatura Fantástica em geral, independente de gênero, de romances épicos e históricos e sobre teorias de conspiração. Mas leio tudo o que cai nas minhas mãos (rsrsrsrs).

Onde, quando e como faz suas leituras?
R: Gosto de ler sozinho à noite, deitado na cama e em silêncio absoluto, geralmente leio em torno de 100 páginas por dia.

O que muito gostaria de ler, mas ainda não encontrou oportunidade?

R: No momento, estou bastante ansioso para ler o nono e último livro da série Operação Cavalo de Tróia, que ainda não consegui adquirir.

Qual livro/série recomendaria?
R: Os três volumes da TRILOGIA ETHERNYT (rsrsrs).

O Autor:

Faça uma breve apresentação de sua obra mais recente.
R: Como vocês sabem, além de diversas antologia em que participo como autor convidado ou prefaciador, sou o autor da TRILOGIA ETHERNYT, composta pelos livros: A GUERRA DOS ANJOS (2009), SOB O DOMÍNIO DAS SOMBRAS (2010) E O DESTINO DOS ESCOLHIDOS (2011)
Uma breve sinopse da minha história:
A contagem regressiva para o Fim dos Tempos já foi iniciada e não pode mais ser contida...
Quando o agente especial Rafael Thomas aceita o encargo de investigar a morte de um diplomata estrangeiro em solo brasileiro, ele não imagina no que está se metendo. Aos poucos, a verdade vai surgindo e ele descobre que por trás daquele crime encontra-se uma poderosa seita de fanáticos, cuja pretensão é valer-se de uma antiga profecia apocalíptica para deflagrar o Armagedon Bíblico.
Começa então, uma incrível caçada pelos quatro cantos do globo, onde Thomas e os Escolhidos acabam envolvendo-se com sociedades secretas milenares, mistérios e enigmas, assassinatos, perseguições, tiroteios e batalhas épicas de tirarem o fôlego. Até se depararem com uma terrível revelação: Anjos e Demônios existem e estão prestes a destruir a Terra na batalha definitiva entre o Bem e o Mal.
Muita ação, suspense e aventura em uma história repleta de temas polêmicos, que vão desde a origem da Raça Humana, os grandes mistérios da antiguidade e o advento das religiões, até a existência de vida extraterrestre, culminando em uma visão sombria sobre o destino da humanidade...    

Quais foram as inspirações para essa obra?

R: Como disse antes, a inspiração para escrever essa trilogia partiu de uma triagem que fiz de tudo aquilo de que sempre gostei nos livros e filmes que assisti até hoje, procurando inserir todos esses elementos na trama de ETHERNYT. Do mesmo modo, procurei ignorar e excluir tudo o que não apreciei nestes mesmos livros e filmes. E assim, fugindo do plágio e dos clichês comuns, nasceu uma série literária de ação, aventura e suspense sobre Anjos, Demônios e Apocalipse, totalmente inovadora e original.

Qual foi a parte mais legal de escrever?
R: Sentir que a história estava ficando mais legal e empolgante a cada página concluída, assim como aprender durante as longas e desgastantes horas de pesquisa sobre tantos assuntos diferentes, porém interessantes.

Qual a mais trabalhosa?
R: Todos os três livros da Trilogia Ethernyt me deram bastante trabalho, principalmente no que concerne à questão das pesquisas e da criação dos diversos enigmas que os personagens precisam desvendar ao longo da trama. Foram noites e noites quebrando a cabeça até finalmente atingir ao objetivo almejado.

Enumere todos os livros que escreveu, inclusive em co-autorias:
R: Romances solo:
“ETHERNYT – A GUERRA DOS ANJOS” [Giz/2009],
“ETHERNYT II – SOB O DOMÍNIO DAS SOMBRAS” [Giz/2010],
“ETHERNYT III – O DESTINO DOS ESCOLHIDOS” [Giz/2011],
Organizador da coletânea:
“A IMPORTÂNCIA DA LEITURA” [Clube de Autores/2010]
Co-autor nas antologias:
“POE 200 ANOS” [All’Print/2009]
“ZUMBIS, QUEM DISSE QUE ELES ESTÃO MORTOS?” [All’Print/2010]
“ÁSGARD _ A SAGA DOS NOVE REINOS” [Jambô/2011]
“PRISIONEIRO DA ETERNIDADE” [E-book comemorativo/2011]
“FORMATURAS MACABRAS” [Literata/2011]
“A BATALHA DOS DEUSES” [Novo Século/2011]
Prefaciador das antologias:
“OLYMPUS – HISTÓRIAS DA MITOLOGIA” [Literata/2011]
“ANGELUS – HISTÓRIAS FANTÁSTICAS DE ANJOS” [Literata/2012]

Destas obras que citou, qual a mais curtiu?
R: Os três ETHERNYT.

Qual foi mais trabalhosa?
R: O primeiro volumes da Trilogia Ethernyt, por ser o primeiro e até então eu nunca havia escrito coisa alguma que merecesse ser publicada. Foi uma longa trajetória com muitos erros e acertos até que finalmente peguei o jeito e a coisa foi ficando mais fácil.

Qual superou as suas expectativas?
R: Sem dúvida, os três Ethernyt superaram as minhas expectativas. Ao lançar o primeiro livro jamais poderia prever que ele e os outros dois volumes que o sucederam conquistariam tanta visibilidade no cenário literário nacional arrebatando uma legião de leitores e fãs por todo o país como vem acontecendo desde 2009 e nem que ganhariam diversos prêmios literários, menções e resenhas altamente positivas nos maiores blogs e sites da Literatura Fantástica Nacional.

Qual reescreveria ou daria continuidade?
R: Pretendo dar continuidade à série ETHERNYT no futuro, mas antes tenho vários outros projetos.

Pode falar um pouco sobre esses outros projetos?
R: Claro que sim. Além das diversas antologias para as quais fui convidado a participar e que serão lançadas ainda neste ano, tenho vários projetos literários para o futuro. Agora que o terceiro livro da série Ethernyt está concluído, estou escrevendo um drama de cunho escatológico no estilo de “A CABANA” e já tenho prontos os esqueletos para uma nova série épico-histórica baseada na mitologia suméria e nos deuses da antiguidade.

Já estão em fase de execução e é possível que algum seja lançado ainda este ano?

R: Com certeza, as antologias serão lançadas em 2012. Já o livro solo vai depender da boa vontade das editoras, mas tenho esperança de que “O SANGUE DE ADÃO” (o drama de cunho escatológico) possa ser lançado ainda este ano.

Ethernyt terá além dos 3 livros ou você pretende criar uma nova série baseada nessa primeira?
R: Sim. Tenho projeto de escrever no futuro outras duas trilogias ambientadas no mesmo Universo de ETHERNYT, completando assim um ciclo cabalístico de nove livros. Uma vez que a trama desta primeira trilogia se passa no presente; a da segunda se passará no passado e recontará a história do surgimento dos anjos e demônios assim como o do Homem e sua História; e a terceira acontecerá no futuro, em uma espécie de ficção cientifica, com direito a naves e viagens interplanetárias.

Fale sobre os seus personagens favoritos e o que há neles para serem os diletos?
R: Tudo em Ethernyt foge do convencional. Os anjos e demônios da minha história são seres ímpares, diferentes de tudo o que já foi escrito a respeito dessa temática. Eles não são seres místicos e nem divinos, pelo contrário, são de carne e osso, possuem defeitos e virtudes e podem ser mortos. Os anjos, apesar de representarem o lado do bem, não são perfeitos. Eles são passíveis de erros e crueldades, da mesma forma que os demônios igualmente não são de todo maus. A minha proposta é: tanto o Bem quanto o Mal não são absolutos. Os humanos também possuem personalidades distintas e fortes, mas são cheios de vícios e defeitos. E isso é apenas uma das muitas inovações que me propus trazer à tona em Ethernyt. Acho fundamentalmente necessária a inovação, não só na literatura, mas em qualquer área. Novos ângulos de vista sobre qualquer assunto são sempre interessantes e bem-vindos, uma vez que despertam a curiosidade, enquanto que os já batidos tornam-se comuns e com o tempo tendem a ficar enfadonhos e repetitivos. Isso serve para qualquer temática de qualquer gênero.

No que gostaria de transformar a série ‘ETHERNYT’?

R: Sonho em um dia ver os três Ethernyt filmados por um grande estúdio holywoodiano ou transformados em seriado. Também gostaria de vê-los transformados em quadrinhos.

Quais os seus contatos e onde poderíamos adquirir as suas obras?

E-MAIL: marsonalquati@hotmail.com

SITE OFICIAL: http://www.ethernyt.com.br

ONDE COMPRAR: http://www.ethernyt.com.br/onde-comprar/

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Resenha - Livro Raízes e Asas, de Ronaldo Luíz Souza

Você nunca mais olhará para uma árvore e um pássaro da mesma forma depois de ler esse livro!

Livro de Ronaldo Luíz Souza, lançado em 2010 pela Usina de Letras:
http://livroraizeseasas.blogspot.com/

Uma lição sobre espiritualidade, esperança e confiança em si mesmo e no mundo através de um livro que deve ser lido por leitores de todas as idades, desde o mais jovens, inclusive. É um ótimo livro para ser presenteado às crianças e adolescentes, pois as lições de humanidade que passa são perfeitas para aqueles que ainda estão formando suas ideias e sua personalidade.

Tudo começa há muitos anos, quando um vale e suas montanhas verdejantes e pulsantes de vida são brutalmente violentados, quando suas árvores são cortadas e seus animais são mortos e capiturados. A voracidade humana não poupa sequer a menor das sementes, mas uma, a única, escapa e esta, mais tarde, dará origem ao personagem Pinheirinho, um ser de luz e sabedoria que auxiliará o outro personagem, Branno, a superar uma fase muito difícil de sua vida.

Todos os anos, os milhares bandos de aves cruzam as rotas aéreas do mundo, guiando-se por diversos meios, inclusive o visual. Quando uma paisagem muda radicalmente, pode ocorrer um colapso no curso dessas aves, podendo levá-las até à morte. Quando no primeiro ano de migração do jovem Branno, ele e seu bando passam por monhanhas e campos fervilhantes de verde e vida, tudo transcorre normalmente dentro das limitações da sobrevivência, mas, no segundo ano, a mudança brutal de uma importante paisagem quase condena à morte todo o bando, já exaurido pela longa viagem e desesperado por encontrar pouso seguro para recuperar suas forças.

As montanhas e planícies em que, futuramente, será o lar de Pinheirinho, está completamente devastado, e as aves não encontram nem o abrigo nem a comida que tanto desesperadamente precisam. Aquele horror foi apenas o primeiro que aguardava o bando.

Quando conseguem completar sua migração, chegando à costa em que todos os anos passam o verão, algo terrível acontece: são alvejados por covardes caçadores humanos, que atiram sem piedade contra as aves. Muitas foram abatidas. O jovem Branno, inexperiente e aterrorizado, foge loucamente, tendo em sua mente apenas a urgência de se estar o mais longe possível daquela cena de horror e sofrimento.


Ferido e exausto, ele acaba se isolando numa ilha no meio do oceano, até que seu melhor amigo o reencontra, depois de passar dias numa frenética busca. Voltando ao bando, Branno recebe a honrosa missão de guiar os outros irmãos, deixando para trás o horror provocado pelos humanos.


No ano seguinte, quando há a nova migração para o sul, o bando é surpreendido por uma violenta tempestade e a forte chuva e ventos derrubam a todos no vale no Pinheirinho. A árvore, vendo o desespero dos pobres pássaros, faz o seu possível para salvá-los, mas nem todos tiveram a mesma sorte. Entre mortos e feridos, Branno saiu com uma terrível sequela para uma ave: uma de suas asas se quebrou.


Mesmo desolado, dá as ordens para que o bando parta mesmo sem ele, pois se demorassem um pouco mais naquele vale desertificado, todos acabariam perecendo. Com a promessa de Pinheirinho, que se propôs a cuidar de Branno.


O tempo em que Branno permaneceu no vale, em companhia do único ser vivente daquele local tornado inóspito pela maldade do homem, rendeu-lhe lições de fé, coragem, força, perseverança e humildade que carregaria para toda vida, transmitindo os ensinamentos para as gerações futuras de aves e estas espalhando para todos os quatro cantos da Terra, até que, um dia, chega a Rendenção da Humanidade e que o homem redescobre a sua ligação com a Natureza.


O final é trágico e belo ao mesmo tempo. Da morte surge a vida, multiplicada incontáveis vezes. A vida retorna em forma e cores ao vale que, na Redenção da Humanidade, torna-se um Santuário protegido e intocável.


http://livroraizeseasas.blogspot.com/



Entrevista - Jim Anotsu

O Escritor:

Quando começou a escrever?
Aos 10 anos de idade. A criação artística sempre esteve presente na minha vida. Sempre houve livros e música. Minha intenção sempre foi trabalhar com moda na verdade, mas acho que a minha família não via isso de um jeito muito bacana e tal, então acabei seguindo pra literatura – contudo, artes plásticas, cinema, movimentos musicais e alta costura – no que diz respeito à forma com que pessoas a veem ou convivem com ela - costumam aparecer no que escrevo.

Por que escreve?
Porque eu não tenho escolha. Sei lá, acho que é impossível me desligar disso, a mera tentativa de abandonar o trabalho criativo – seja literatura, música, etc, seria meio... como pular de uma montanha e tentar parar a queda no meio. Tem muito a ver com a forma como você observa a realidade e deseja registrá-la.

O que gostaria de alcançar com a sua Literatura?
Não sei, acho que ela serve como um tratamento psicológico entre eu e eu. Tem muito a ver com o que eu sou no momento em que escrevo. Minha única intenção literária é expandir minhas habilidades criativas e narrativas.

Qual tema ou assunto que gostaria muito de abordar, mas ainda não sente a necessidade de fazê-lo agora?
Não sei, acho que sobre o momento de transição em que o angst juvenil começa a dar lugar para a melancolia da idade adulta. Sobre aquela fase em que Kurt Cobain e Rivers Cuomo não conseguem te dar todas as respostas. Mas como eu ainda estou preso nessa fase não consigo ter uma visão isenta de sentimentos.

O que o motiva?
A possibilidade de criar coisas novas. Eu penso em cinco ou seis histórias ao mesmo tempo. Acho que é por isso que não tenho interesse em escrever uma série, porque eu não ficaria feliz acorrentado com os mesmos personagens e mundos durante muito tempo. Acho que parte disso é culpa da minha hiperatividade.

Qual a sua maior inspiração?
Tudo o que escrevo – romances, poemas, artigos científicos – nascem de alguma problemática. Em “Annabel & Sarah” eu estava com quase a mesma idade das protagonistas e tinha essa sensação de que o mundo queria me afogar num mar de coisas chatas. E tinha muito ali de querer documentar o estilo de vida que eu levava, que misturava indie rock, livros estranhos e sarcasmo.

O que mais atrapalha?
O cotidiano. Eu odeio obrigações e acho que a educação formal é uma forma de podar a criatividade. Acho que sei lá, as pessoas trabalham de 8:00 da manhã até as 6:00 da noite apenas para ganharem uns trocados e encherem os bolsos de pessoas mais burras e menos criativas do que elas. No momento eu estou cursando bacharelado em Literatura Inglesa e chego a ficar deprimido com a forma como essa mentalidade do comum chegou ao mundo acadêmico. Todo mundo se conforma bem fácil com a chatice.

Qual seria o cenário perfeito para trabalhar na sua Literatura?
Eu gosto de escrever durante a parte da manhã. Eu gosto de aproveitar as tardes para ler, assistir a algum filme, distrair a mente para que eu possa criar. Eu nem sempre ouço música para escrever, mas gosto de ter alguma coisa no fundo quando preciso planejar. Eu gosto de milhares de coisas, tipo jazz, emocore dos anos 90, power pop, rap, rock, twee pop, dubstep, baroque pop e coisas lo-fi.

O Leitor :

Qual o primeiro livro que leu e marcou a memória?
A ilha do Tesouro de Robert Louis Stevenson, não foi o primeiro, mas é o livro que considero fundamental em minha decisão de me tornar escritor. Outro seria The Railway Children de Edith Nesbit.

Qual a obra mais marcante?
“O Arco-íris da Gravidade” de Thomas Pynchon, acho que é a obra que me tocou mais profundamente. Não consegui ler ou escrever nada durante um bom tempo após ter lido esse.

Não vendo. Não troco. Não empresto.
“The Complete Tales of Winnie-the-Pooh”, é uma belíssima edição com as histórias escritas por A.A. Milne e ilustradas por Ernest H. Shepard. Pooh é uma criação atemporal e a escrita de Milne é graciosa e inigualável.

Qual o gênero e estilo literário favoritos para leitura?
Aquilo que eu estiver lendo no momento. Eu sou meio onívoro com relação a livros. Sou capaz de me divertir lendo tanto Ian McEwan quanto Eoin Colfer. Só preciso de bons personagens e uma história estranha.

Onde, quando e como faz suas leituras?
Em qualquer lugar e somente com livros impressos, não gosto de computadores e leitores digitais, sou meio antiquado.

O que muito gostaria de ler, mas ainda não encontrou oportunidade?
Quero muito ler o último livro que comprei, se chama “The impressionista” do autor Hari Kunzru, contudo, a volta às aulas está batendo e vou ter menos tempo. Também quero ler “O Aviador” do Colfer.

Qual livro recomendaria?
Com certeza seria “On The Road” do Jack Kerouac, ele escreve de uma forma tão viva e espontânea que você se sente ali, conversando com Sal Paradise e Dean Moriarty. Um livro onde o importante é a linguagem e a experiência em fluxo.

O Autor:

Faça uma breve apresentação de sua obra mais recente.
O nome do livro é “A Morte é Legal” e minha previsão é que não demore muito para sair, dado que houve um intervalo de dois anos entre “Annabel & Sarah” e este. Uma sinopse básica seria: “Andrew Webley, um garoto muito ridículo.” O livro conta a história de Andrew Webley, um jovem de 19 anos que mora na cidade de Dresbel, um aspirante a escritor, sem rumo na vida e apaixonado pela melhor amiga, uma violinista, há mais de três anos sem ter coragem de se declarar para ela. As coisas começam a mudar quando conhece Ive, a filha mais nova da Morte e ceifadora estagiária. Ela lhe revela que caso encontre os três nomes verdadeiros de um certo gato, poderá fazer qualquer pedido, inclusive o amor da garota que ama. Com a ajuda de Prozy, uma coelha niilista que é alérgica a si própria, a dupla passa a procurar os nomes do gato numa busca que os leva até o mundo das fadas, a Cidade dos Ratos e outros lugares. Mas não estarão sozinhos nessa busca, um feiticeiro e uma fada do fogo estão no encalço da dupla, assim como Rayla, a capitã da Divisão de Investigação Espiritual, e irmã mais velha de Ive.

Quais foram as inspirações para essa obra?
Poemas de T.S Eliot, Philip Sidney, Wallace Stevens e paixões platônicas – e hip hop.

Qual foi a parte mais legal de escrever?
As partes da coelha niilista!

Qual a mais trabalhosa?
Tudo, escrever é uma coisa tão dolorosa que você precisa ter problemas mentais para entrar nisso por livre e espontânea vontade.

Fale sobre as suas personagens favoritas e o que há nelas para serem as prediletas?
Acho que a Annabel de “Annabel e Sarah” e Amber de “A Morte é Legal”. Acho que em algumas partes nós temos coisas em comum.

No que gostaria de transformar “A Morte é Legal”?
Não sei se eu gostaria que alguém fizesse isso. Sou muito ciumento para querer algo assim. Sei lá, um musical seria engraçado. Acho que às vezes alguns livros devem permanecer o que são: livros.

Quais os seus contatos e onde poderíamos adquirir as suas obras?
Bem, tem o twitter:@jimanotsu Eu não falo muita coisa útil lá, geralmente sobre música ou coisas relacionadas. Bem, você pode comprar através de lojas virtuais e nas livrarias. No site da Editora Draco você encontra a relação das lojas mais próximas de você. Até mais. =)

Fanzine Juvenatrix #133

 Para solicitar sua cópia em formato PDF, envie um e-mail para:
 
Conteúdo:

Juvenatrix” número 133 (Fevereiro de 2012), 26 páginas. Capa de Rafael Tavares.
Metal extremo: “Dying Fetus” (EUA), “Extreme Noise Terror” (Inglaterra), “Aborted” (Bélgica).
Notícias e divulgação de produções alternativas.
Contos de Miguel Carqueija, Ronald Rahal, Emanuel R. Marques e Dalila Rocha Sousa.
Textos de literatura fantástica: “Medo, Mistério e Morte”, de Carlos Orsi Martinho, “Jarbas”, de André Bozzetto Junior.
Textos de cinema fantástico: “Jornada nas Estrelas – A Série Animada” (série de TV, 1973 / 1975), “O Cérebro” (1988), “O Terrível Dr. Orloff” (1962), “Os Invasores” (série de TV, 1967 / 1968).


sábado, 18 de fevereiro de 2012

Entrevista - Oscar Mendes Filho


O Escritor:
 
1. Quando começou a escrever? 
Comecei a escrever na adolescência, na época ainda utilizava as hoje quase extintas máquinas de escrever. Sempre seguindo a linha da ficção e do horror.

2. Por que escreve? 
Escrevo apenas por prazer, para expressar minhas opiniões, sonhos e desejos. Interessante também é a capacidade de levar boas histórias aos leitores e transmitir-lhes emoções com elas, claro, sempre com algumas pitadas sobre temas que as façam refletir. O desejo de todo escritor é poder viver da literatura, mas como no Brasil isso é difícil de acontecer, escrevo apenas para meus leitores. O importante é ser lido.

3. O que gostaria de alcançar com a sua Literatura? 
Hoje já não tenho mais o sonho de ganhar a vida com a Literatura, como quando era mais jovem, desejo apenas levar minhas obras aos leitores que apreciam o gênero que abordo, seja através do meu blog ou dos livros que publico de forma independente.

4. Qual tema ou assunto que gostaria muito de abordar, mas ainda não sente a necessidade de fazê-lo agora?
Penso em criar uma obra voltada apenas à ficção, sem envolver o horror. Algo do tipo Conan, Senhor dos Anéis, ou obras do gênero. Mas nem de longe com a pretensão de ser capaz de criar algo com a mesma qualidade dessas obras.

5. O que o motiva?
O reconhecimento por parte dos leitores e também a ideia de que meus trabalhos sejam meu legado para as próximas gerações. Gosto de escrever sem a obrigatoriedade de seguir determinado gênero, apenas deixando-me seguir pelos caminhos que a inspiração me leva.

6. Qual a sua maior inspiração?
Costumo buscar inspiração em filmes, livros e até mesmo músicas, sempre relacionados aos temas sobre os quais escrevo.
A inspiração por vezes me abandona completamente, passando semanas sem que eu consiga produzir alguma coisa, mas quando retorna, é com força total. 

7. O que mais atrapalha? 
Talvez problemas particulares ou excesso de trabalho. Mas ainda não consegui reconhecer o que faz com que minha inspiração por vezes desapareça.

8. Qual seria o cenário perfeito para trabalhar na sua Literatura? 
Costumo escrever durante a noite e a madrugada, quando as coisas se acalmam. Nessas ocasiões posso usar meus fones de ouvido para apreciar uma música inspiradora, como E-Nomine, Iron Maiden, etc sem correr o risco de ser interrompido. Mas já criei muita coisa durante o dia, também, quando a inspiração surge e até mesmo no trabalho, quando sobra um tempinho.

O Leitor:

1. Qual o primeiro livro que leu e marcou a memória?
Na época da escola os professores nos faziam ler muitos livros (coisa que hoje parece não acontecer), nenhum voltado ao tema que sigo atualmente, mas um que sempre me vem à mente é “Olhai os Lírios do Campo” de Érico Veríssimo. No entanto, já me dedicava à leitura antes de obrigatoriedade escolar e alguns livros dos quais me recordo são “Confissões de um Vira-Lata” do Orígenes Lessa, e alguns da série Vaga-Lume como “O Escaravelho do Diabo”.

2. Qual a obra mais marcante?
Tem uma que me marcou por motivos distintos. Me recordo de que, ao receber o livro de Língua Portuguesa no início de um ano letivo (acredito que na quinta série) fiquei fascinado por haver entre os textos a serem trabalhos um trecho do livro “Confissões de um Vira Lata”, que eu já tinha lido. A cada aula um dos textos do livro era lido para a classe e aguardei pacientemente o dia em que chegaria a vez do trecho do “Confissões” para lê-lo. Assim o fiz, mas de maneira traumatizante. Ao ser questionado pela professora sobre meu entendimento acerca do texto (fato que ocorria em todas as aulas pois era parte da atividade) ela disse que eu não havia entendido nada. Fiquei perplexo e bastante chateado, mas hoje vejo que a culpa não foi minha, mas do despreparo da professora em questão. Por exemplo, quando ela me indagou “Quem é o Sultão?” eu respondi que era o personagem de vida abastada e ela disse que eu não sabia o que era um sultão, ou seja, ela deveria ter me perguntado “O que é um sultão?”. Parece que o despreparo de certos professores já vem de tempos atrás. Ainda bem que não abandonei os livros por causa dela.

3. Não vendo. Não troco. Não empresto. 
“O Livro de Ouro da Mitologia” de Thomas Bulfinch, embora geralmente eu odeie emprestar coisas minhas. Ninguém tem o mesmo zelo por elas como nós temos.

4. Qual o gênero e estilo literário favoritos para leitura? 
Suspense, horror e ficção.

5. Onde, quando e como faz suas leituras? 
Geralmente leio em casa, mas também o faço no ônibus, durante o trajeto para o trabalho, embora não goste muito.

6. O que muito gostaria de ler, mas ainda não encontrou oportunidade? 
Não me recordo de nenhuma obra no momento, pois tenho a sorte de possuir todos os livros que desejava.

7. Qual livro recomendaria? 

Existem várias obras que poderia citar nesse sentido, O próprio “O Livro de Ouro da Mitologia” é bastante inspirador, mas posso indicar também “Drácula” de Bran Stoker. Claro, além dos meus, dentre eles, o “Prisioneiro da Eternidade - RPG”, pois permite ao leitor seguir seus próprio caminho dentro da narrativa, pois nele utilizei uma fórmula hoje difícil de se encontrar.

O Autor:

1. Faça uma breve apresentação de sua obra mais recente.
Minha mais recente obra é “Waverly Hills – Onde Reside o Mal”, nela eu abordo de uma forma peculiar os acontecimentos que afligem um grupo de pesquisadores que se atreve a passar uma noite no famigerado hospital que dizem ser assombrado, localizado nos EUA. Penso, até mesmo, em criar uma segunda obra abordando o tema e seguindo a mesma linha, mas ainda estudo a ideia.

2. Mostrar o lado sobrenatural do nosso cotidiano é realmente ter munição para muitas histórias, visto que sempre alguém ou algum lugar haverá algo não (muito bem) explicado pela Ciência. Como você tem a intenção de escrever uma segunda obra, qual seria o cenário para essa?
Não estudei bem essa possibilidade ainda, mas o que já me veio em mente foi a ideia de uma segunda equipe, auxiliada pelos sobreviventes da primeira jornada, retornar ao sanatório munido de instrumentos ainda mais modernos, que certamente lhes proporcionará horrores ainda maiores. Mas a ideia ainda tem que amadurecer bastante, como disse anteriormente, tudo depende da inspiração, talvez ela resolva dar o ar da graça a qualquer momento.

3. Você pretende tornar essa ideia uma série?
Não, não, seria apenas uma segunda obra mesmo. No caso de séries elas acabam ficando repetitivas.

4. Quais foram as inspirações para essa obra?
A história terrível do hospital e sanatório de Waverly Hills. A lenda de que ainda hoje existam espírito assombrando o local é bastante intrigante.

5. Histórias reais de casos sobrenaturais são do seu interesse? 
Certamente, caso alguém se interesse basta me enviar o material que tento criar baseado nele. Tudo o que leva medo ao leitor é do meu interesse, e sendo um caso real, ainda mais.

6. Qual foi a parte mais legal de escrever?
O desfecho da história. Criei três finais diferentes para ela, mas tive que optar por uma, escolhendo a que me pareceu mais aterrorizante.

7. Qual a mais trabalhosa?
Difícil explicar para quem não conhece a obra, mas acho que sincronizar os horários de acordo com os acontecimentos foi algo bastante trabalhoso.

8. Enumere todos os livros que escreveu, inclusive em co-autorias, na ordem do mais recente ao mais antigo, e descreva brevemente o significado de cada obra para você.
·                     Waverly Hills – Onde Reside o Mal - Um livro que gostei bastante de escrever, por ter me baseado em “fatos reais”.
·                     Antologia Prisioneiro da Eternidade - Obra que surgiu de forma inesperada. Inicialmente a ideia era convidar escritores amigos a participarem do aniversário de cinco anos do meu blog, cada qual enviando alguns contos. Como a receptividade dos leitores foi boa, decidimos reunir esses contos e criar a antologia.
·                     Contos Para Nunca Esquecer II - A segunda coletânea de contos que publico em meu blog, mas que possui alguns trabalhos inéditos.
·                     Asgard – A Saga dos Nove Reinos - Fui convidado a participar e o fiz com o conto “O Arrependimento de Odin”, que é bastante elogiado. Modéstia a parte, dizem ser o melhor do livro.
·                     Contos Para Nunca Esquecer - Foi a primeira coletânea de contos que criei, onde reuni os trabalhos publicados no meu blog e adicionei algumas obras ainda não publicadas, de forma a atrair o interesse dos leitores.
·                     Joshua - O livro traz a história de um caçador de vampiros, mas sem seguir os clichês em voga atualmente. Joshua é desprezado pela família e realiza seu trabalho visando apenas o dinheiro.
·                     Prisioneiro da Eternidade II – A Redenção - Traz a sequência da história do livro anterior, mas nele, os acontecimentos se passam nos dias de hoje.
·                     Prisioneiro da Eternidade - O livro narra a trajetória de um vampiro desde sua criação, trazendo uma visão diferente e nada convencional em relação à origem dessas criaturas.
·                     Prisioneiro da Eternidade – RPG - É um livro que segue o formato de obras que li há muitos anos. Nele o leitor pode escolher qual caminho seguir, e com isso, obter desfechos diferentes e inusitados para a trama. De acordo com essas escolhas o protagonista pode se tornar um lobisomem, um vampiro ou morrer como um simples mortal.
·                     Hanz - Esse foi o primeiro livro que escrevi, ainda jovem, quando ainda possuía a ânsia de mudar o mundo e fazer dele um lugar mais justo. Transfiro ao personagem principal todos esses anseios e, também, ideias nada ortodoxas para atingir seus objetivos. Mas em cada personagem há uma faceta minha, onde pincelo minha visão em relação à realidade, ao modo de se comportar e à vida.
9. Destas obras que citou, qual a que mais curtiu? 
Prisioneiro da Eternidade – RPG é uma obra que me agrada bastante por não obrigar o leitor a seguir apenas uma linha de raciocínio e poder levar o personagem a diferentes acontecimentos, de acordo com as escolhas que realiza. Mas todos meus trabalhos poderiam ser citados, pois os criei em momentos diversos da minha vida e trazem impressões únicas.

10. Qual foi mais trabalhosa?
O RPG foi bastante trabalhoso, pois foi como escrever vários livros diferentes em apenas um.

11. Qual superou as suas expectativas?
“Waverly Hills – Onde Reside o Mal” é uma das obras que mais causa admiração nos leitores e o que rende mais comentários.
    
12. Qual reescreveria ou daria continuidade?
Não gosto muito da ideia de reescrever um livro, pois cada um traz suas impressões sobre a época em que foi escrito, mas acho que reescreveria “Hanz” e “Joshua”, o primeiro para aprimorá-lo um pouco e retirar o cunho religioso que muitas vezes se faz presente nele e, no caso do segundo, para trabalhar melhor algumas passagens do livro. Como meu professor de literatura costumava dizer “Um livro é uma obra viva, e sempre parece requerer transformações a cada leitura, por parte de quem o escreve”, mas não gosto da ideia de reescrever.

13. Tenho percebido que muitos escritores têm receios de abordar crenças e religiões em suas obras. No caso de “Hans”, o cunho religioso não enriquece a obra, independente se você, como autor, e o leitor, compartilha da mesma crença ou não?
Na época em que escrevi “Hans” eu seguia, digamos, mais fervorosamente, a doutrina espírita, então em certos momentos eu deixei isso extremamente claro. Por ter, após estudos, visualizado certos parâmetros com os quais não concordei, hoje não o faria da mesma forma. Mas os leitores nunca se manifestaram contrários a esse fato, pelo menos não até o momento.

14. Fale sobre o seu personagem favorito e o que há nele para ser o dileto?
Citar um personagem preferido é complicado, pois nutro admiração e carinho por todos eles, mas Baalzerith do “Prisioneiro da Eternidade” é um dos preferidos, porque ele carrega todos os anseios, medos e frustrações de uma criatura obrigada a se arrastar através dos séculos.

15. No que gostaria de transformar “Waverly Hills – Onde Reside o Mal”? 
Em relação a essa obra específica não tenho planos, porque transformá-lo em um filme, por exemplo, o deixaria muito semelhante a alguns documentários criados ultimamente. Mas um livro que me deixaria muito satisfeito caso se tornasse um filme seria “Prisioneiro da Eternidade”.

16. Você é um escritor que se utiliza da internet para publicar suas obras. Quanto ao interesse do público leitor, o que mudou nesses últimos cinco anos? Em sua opinião, a internet é uma ferramenta melhor agora com todas essas redes sociais e facilidades de publicação?
A internet se tornou uma importante ferramenta de divulgação para todo tipo de trabalho, inclusive o literário. O problema é que, com essa facilidade, muita propaganda enganosa também circula, e cabe ao leitor separar o que realmente merece atenção ou não.

17. Quais os seus contatos e onde poderíamos adquirir as suas obras?
Meu e-mail é oscar.mendes01@gmail.com e meus trabalhos podem ser lidos e até mesmo baixados através do meu blog www.prisioneirodaeternidade.blogspot.com
Twitter: @oscarmendes01
Facebook: https://www.facebook.com/profile.php?id=100001713283897 

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Entrevista - Alfer Medeiros

Hola! A partir de hoje, o Alternativos & Independentes inaugura uma nova fase em suas blogagens, com trabalhos mais intensos e objetivos, não ficando mais restrito apenas às divulgações de livros, eventos e afins. E a primeira dessas novidades por aqui é a Entrevista com Escritores, em que essas pessoas maravilhosas mostrarão a nós os seus envolvimentos com a Literatura, dentro da face trina "Escritor-Leitor-Autor".

E quem inauruga esta nova seção é o Escritor ALFER MEDEIROS, autor dos livros Fúria Lupina e Livraria Limítrofe =]

O Escritor:

1.    Quando começou a escrever?
Comecei bem tarde, aos 35 anos de idade. Foi basicamente uma necessidade de deixar livres as ideias represadas na cabeça por tantos anos.

2.    Por que escreve?
Por gosto pela coisa! Nunca ambicionei viver disso, apenas quero escrever. Se, nesse processo, houver pessoas interessadas no conteúdo produzido por mim, melhor ainda!

3.    O que gostaria de alcançar com a sua Literatura?
Ser lido e poder receber um retorno de quem teve contato com meu trabalho, visando sempre melhorar. É uma sensação única ver o seu trabalho literário provocar emoções nas pessoas.

4.  Qual tema ou assunto que gostaria muito de abordar, mas ainda não sente a necessidade de fazê-lo agora?
Eu gostaria de abordar coisas mais intimistas dentro do fantástico, como fiz no conto “Ícaro e a Ameaça Invisível”, narrativas solitárias de pessoas comuns visitadas pelo insólito. São ideias ainda na semente, que espero colocar em prática no futuro.

5.    O que o motiva?
A satisfação de escrever, pura e simplesmente.

6.    Qual a sua maior inspiração?

O dia-a-dia me inspira muito. A riquíssima fauna da megalópole onde vivo fornece personagens e cenários marcantes, a partir dos quais consigo desenvolver toda a concepção criativa para as minhas histórias. O que leio também ajuda a abrir certas portas mentais, que permitem um fluxo interessante de ideias.

7.    O que mais atrapalha?
Hoje, o grande inimigo da minha produção literária é a internet. A escrita só começa a ser efetiva quando o meu computador está off-line.

8.    Qual seria o cenário perfeito para trabalhar na sua Literatura?
Eu só preciso de um meio acessível para registrar as ideias. Via smartphone, consigo escrever em qualquer lugar. Minha rotina oferece pouquíssimos momentos de calmaria, então aprendi a escrever em meio ao caos. Se dependesse de clima, tranquilidade ou lugares especiais, eu nunca produziria.

O Leitor:

1.    Qual o primeiro livro que leu e marcou a memória?
“O Caso dos Dez Negrinhos”, da Agatha Christie, que li ainda na infância. Ele me mostrou que boas histórias não precisam ter desenhos para que eu conseguisse enxergar tudo o que o autor tem para passar.

2.    Qual a obra mais marcante?
“Os Mortos-Vivos” (Ghost Story), de Peter Straub. Ele me mostrou como um horrorzão dos bons deve ser escrito.

3.    Não vendo. Não troco. Não empresto.
Acho que não tenho tanto apego assim, pois não consigo dar essa resposta de bate-pronto! rs

4.    Qual o gênero e estilo literário favoritos para leitura?

Horror, policial e romance histórico. Prefiro narrativas fluentes e instigantes.

5.    Onde, quando e como faz suas leituras?
A leitura, para mim, é um preenchedor de tempo livre. Leio no transporte coletivo, nas filas, nas salas de espera. Além disso, também gosto de ler em casa, de maneira confortável, para variar. rs

6.    O que muito gostaria de ler, mas ainda não encontrou oportunidade?
Tive pouquíssimo contato com a literatura infantil porque, apesar de ler desde a infância, sempre tive à disposição livros mais “maduros”. Agora que sou pai, vou colocar em prática essa deliciosa descoberta, para passá-la adiante.

7.    Qual livro recomendaria?
Acho que “A História Sem Fim”, de Michael Ende, é uma obra universal e sem faixa etária definida, que todos podem apreciar.

O Autor:

1.    Faça uma breve apresentação de sua obra mais recente.
“Livraria Limítrofe – O Adeus” é a minha primeira incursão, em projeto solo, fora do horror (antes disso, só havia lançado o “Fúria Lupina”). É uma brincadeira com pessoas e referências literárias, na forma de uma livraria mágica que materializa as predileções por livros dos clientes.

1.1 – Quer dizer que o “Livraria Limítrofe” transita por todas as vertentes da Literatura Fantástica? A ideia me lembra a antiga série televisiva “A Ilha da Fantasia”, que algumas vezes não poupava os personagens de finais infelizes. Quais são as experiências pelas quais os personagens passam?
Cada capítulo é um depoimento diferente, dado por alguém que visitou a livraria. Como cada pessoa tem o seu grau de envolvimento com a literatura, essas visitas são bem diferentes entre si. Temos, por exemplo, duas pessoas que entram ao mesmo tempo e enxergam coisas diferentes, uma escritora sem inspiração buscando ajuda, um homem que se senta a uma mesa de bar na companhia dos seus dois autores de horror preferidos. O livro inteiro é um grande jogo de adivinhação, pois, apesar de conter diversas referências literárias, nenhuma delas é citada explicitamente.

2.    Quais foram as inspirações para essa obra?
Tudo o que li durante a vida, associado a perfis de pessoas comuns, dessas que vemos todos os dias.

3.    Qual foi a parte mais legal de escrever?
Em primeiro lugar, é fascinante como uma coisa tão abstrata como um lampejo criativo mental evolui e se transforma ao sair da cabeça e chegar ao papel. Saber o que os outros pensam a respeito e o que esse texto fez com eles também é muito gratificante.

4.    Qual a mais trabalhosa?
Fazer o texto tomar forma da maneira mais adequada é estafante. Na cabeça, está tudo bonito e coerente, mas quando se escreve, diversas armadilhas começam a surgir - becos sem saída, insatisfação com a apresentação das ideias, sensação de que não está bom. Por isso que sempre é um alívio chegar à forma final da história (mesmo que depois esta ainda venha a sofrer pequenos ajustes).

5.    Enumere todos os livros que escreveu, inclusive em co-autorias, na ordem do mais recente ao mais antigo, e descreva brevemente o significado de cada obra para você:
  • Livraria Limítrofe – O Adeus: de todos os meus trabalhos, este é o que me deu maior retorno dos leitores; é uma obra muito espontânea, escrita sem esforço algum, e por conta disso tenho muito apreço por ela.
  • Green Death – Ecoterrorismo Licantrópico: eu não escrevi neste projeto, mas ele é marcante por ser minha primeira experiência como organizador; foi muito legal ver um spinoff do Fúria Lupina com textos de outros autores.
  • Antologia Prisioneiro da Eternidade: participei deste e-book a convite do Oscar, do blog Prisioneiro da Eternidade; foi muito interessante escrever um horror indígena no conto “O Desejo de Ipupiara”, minha contribuição neste trabalho.
  • Cursed City: antologia de weird western onde fui selecionado com o conto “O Gigante, a Curandeira e a Lutadora de Kung-Fu”, minha primeira incursão no velho oeste e também no estilo de escrita mais descontraído.
  • Asgard – A Saga dos Nove Reinos: antologia na qual participei, como convidado, com o conto “Memórias do Lobo”, um grande desafio de escrever dentro de uma mitologia na qual nunca me achei à altura para produzir algo interessante; gostei bastante do resultado final.
  • Sete Visões – Ambição: minha primeira experiência com e-book; foi uma antologia com participação de sete autores, cada um versando sobre o tema principal e escrevendo um oitavo conto a 14 mãos.
  • Fúria Lupina Brasil: minha estreia solo, um projeto sobre lobisomens totalmente independente; este trabalho me abriu muitas portas, e sou muito grato pelos frutos que ele gerou.
  • UFO – Contos Não-Identificados: antologia da qual fiz parte como autor selecionado, com o conto “O Navegante”; através dela, conheci muita gente legal e aprendi algumas coisinhas do microcosmo da literatura fantástica nacional.

6.    Destas obras que citou, qual a mais curtiu?
Todas elas tiveram seu valor e contribuíram para minha experiência na escrita. Seria muita injustiça destacar apenas uma.

     6.1.    Qual foi mais trabalhosa?
   Fúria Lupina, com certeza. Eu não tinha experiência de escrita, não conhecia certos macetes que hoje me fazem ser mais produtivo.

    6.2. Qual superou as suas expectativas?
   Meu conto na antologia Asgard, “Memórias do Lobo”. Eu tive de fazê-lo em poucos dias, e não me sentia à vontade com isso. Fiz 7 versões, cada uma delas começando do zero, por não estar satisfeito com o resultado final. Apesar da minha insegurança, todas as críticas que recebi a respeito dele foram positivas.

    6.3. Com a boa aceitação do público, existe a possibilidade de “Memórias do Lobo” se tornar um romance ou ganhar continuidade em forma de série?
   Acredito que esse conto se desenvolveu plenamente no que se propôs. Ele conta a história do lobo Fenrir, filho de Loki, sob a narrativa dele mesmo. Vai da infância deste importante personagem até o pós-Ragnarok, sugerindo algumas mudanças no que foi contado na mitologia tradicional.

    6.4. Qual reescreveria ou daria continuidade?

  Sou contra reescrever textos já publicados, pois eles servem como uma fotografia do passado, uma amostra de quem era o autor em determinada época. Em termos de continuidade, minhas duas obras principais (Fúria Lupina e Livraria Limítrofe) terão vida longa, apesar de não terem sido concebidas com essa finalidade. São muitas ideias para esses projetos, e não há motivos para deixá-las engavetadas.

   6.5. Então você pensa na possibilidade de tanto “Fúria Lupina” quanto “Livraria Limítrofe” se tornarem uma saga?
   É grande a possibilidade dos dois projetos virarem séries, pois ainda há muitas ideias a explorar em cada um deles. Cada livro tem início, meio e fim, não existe a necessidade em ler um antecessor ou sucessor para entender ou ver a conclusão da trama. Mesmo assim, há muito a reaproveitar entre os livros, como cenários e personagens.

7.    Fale sobre o seu personagem favorito e o que há nele para ser o dileto?
Gosto muito do Livreiro Limítrofe, um senhorzinho educado, culto e dedicado ao seu trabalho.

8.    No que gostaria de transformar suas obras?

Tenho uma paixão amplamente declarada pelos quadrinhos. Espero um dia poder ver algo de minha autoria nessa mídia.

9.    Quais os seus contatos e onde poderíamos adquirir as suas obras?


E-mail: alfer.medeiros@gmail.com
Blogs:
Twitter: @AlferMedeiros
Facebook: http://www.facebook.com/profile.php?id=100001104504871
Aquisição dos livros: diretamente comigo ou nos pontos de venda das editoras.


Entrevista concedida por Alfer Medeiros à Pat Kovacs, em 15/02/2012.
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